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LRCO Paraná — Um Caso de Alerta sobre Reconhecimento Facial na Frequência Escolar, Alvo de Ação por Violação da LGPD

Brazil · Curitiba · See the Brazil profile

O Paraná (Brasil) usa reconhecimento facial na frequência escolar desde 2023 (~1 milhão de alunos, 1.700+ escolas). Auditoria UNESP (2025): só 91,1% vs. limite de 95%; 80% dos professores acharam-no pior que a chamada manual. Ministério Público processou o estado em 2025 (LGPD).

LRCO Paraná — Um Caso de Alerta sobre Reconhecimento Facial na Frequência Escolar, Alvo de Ação por Violação da LGPD

Details

Promoter
Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED-PR) / Celepar / Valid / Innovatrics
Period
2022–ongoing (contract signed Sep 2022; lawsuit filed Apr 2025; ruling expected H1 2026)
Keywords
biometric attendance, facial recognition, data protection, LGPD compliance, school administration

Description

O estado brasileiro do Paraná (com cerca de 12 milhões de habitantes) utiliza reconhecimento facial para registar a frequência escolar desde 2023. A empresa estadual de tecnologia Celepar contratou a empresa brasileira de identidade Valid em setembro de 2022 para construir a aplicação "LRCO Paraná", assente num motor de reconhecimento facial da empresa eslovaca Innovatrics. Os professores abrem a aplicação, fotografam a turma, e as imagens são comparadas na nuvem com uma base de dados biométrica construída a partir das fotografias de identificação dos alunos; as imagens ficam guardadas em servidores do governo durante um ano.

Em 2025, o sistema regista a frequência de cerca de 1 milhão de alunos da rede pública do Paraná diariamente, em mais de 1.700 escolas, e a abordagem já se espalhou para sete dos 27 estados brasileiros, com um projeto-piloto também testado em Portugal.

Um estudo independente de 2025, realizado por investigadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), concluiu que o sistema alcançava apenas 91,1% de precisão no reconhecimento — abaixo do limiar de 95% previsto no contrato da Celepar com a Valid — e que a verificação demorava em média dois minutos por turma, em vez dos 30 segundos prometidos. Um inquérito aos professores afetados, realizado pelo sindicato APP-Sindicato (que representa mais de 65.000 profissionais da educação), constatou que oito em cada dez professores consideravam a chamada por reconhecimento facial menos eficaz do que o método manual que substituiu; um dirigente sindical descreveu como, na prática, os professores frequentemente deixam de a usar assim que a pressão para cumprir diminui.

Em abril de 2025, o Ministério Público do Paraná apresentou uma ação civil contra o governo do estado, a Celepar e a Valid, alegando que o programa viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil — incluindo um formulário de matrícula anterior que não permitia aos pais recusar a captura biométrica dos filhos — e pediu R$15 milhões em danos morais coletivos, além da suspensão do tratamento de dados. Em maio de 2025, um juiz negou o pedido de suspensão de urgência, citando falta de provas de dano iminente; o Ministério Público recorreu formalmente em setembro de 2025, e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério da Educação foram desde então intimados a manifestar-se, com decisão esperada para o primeiro semestre de 2026. Como os registos de frequência alimentam a verificação de elegibilidade para o programa de transferência de renda Bolsa Família (que exige um mínimo de 75% de frequência para crianças com mais de seis anos), o governo estadual afirma que o sistema inclui "salvaguardas" contra a perda indevida de benefícios, embora esta afirmação não tenha sido verificada de forma independente nas reportagens analisadas.

O caso tem atraído atenção porque o reconhecimento facial em escolas foi restringido ou suspenso noutros locais por motivos de consentimento de menores — a autoridade sueca de proteção de dados multou uma direção escolar em 2019 devido a um pequeno projeto-piloto, e tribunais franceses suspenderam projetos-piloto em Nice e Marselha em 2020 — levando investigadores de privacidade a descrever a exportação da tecnologia para o Brasil como uma forma de arbitragem regulatória: fornecedores a implementar no estrangeiro aquilo que os reguladores consideraram demasiado invasivo para crianças nos seus próprios países.

Implementation

Implementation detail (cost, timeline, staffing, conditions for success) is not yet available for this practice.

Data sources

Where this practice's information was retrieved from, and when.

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