Os Centros de Justicia para las Mujeres (CJM) do México são centros de atendimento único que reúnem, sob o mesmo teto, uma procuradoria estadual, apoio psicológico e jurídico e, frequentemente, um instituto da mulher ou secretaria de governo, para que as mulheres em situação de violência não tenham de percorrer instituições separadas. O modelo, promovido a nível nacional desde cerca de 2010, cresceu para 76 centros em funcionamento nas 32 entidades federativas mexicanas em meados de 2025, na sua maioria ligados às procuradorias-gerais estaduais (64% dos centros), com outros geridos por institutos estaduais da mulher, secretarias de governo ou departamentos de segurança pública.
Os centros processam hoje grandes volumes: dados do programa estatístico oficial do INEGI sobre os CJM situam o número de mulheres atendidas em 2024 em 638 720, face a 598 437 em 2023, com cerca de 1 750 mulheres por dia a recorrer à rede nacional — um aumento de cerca de 30% na afluência diária desde 2019, quando 782 mulheres por dia utilizavam os então 55 centros. A violência psicológica é consistentemente o tipo de violência mais reportado, à frente da violência física e sexual.
Uma revisão de literatura de 2026 publicada na SciELO por Benítez García, sintetizando 12 estudos académicos sobre os CJM publicados entre 2014 e 2024, concluiu que, apesar da formação em perspetiva de género do pessoal, vários estudos documentaram que "a eficácia é comprometida por uma resposta institucional limitada pela estrutura e pelo orçamento" (Andrade Olvera, 2022), recursos económicos e humanos insuficientes e fraca participação da sociedade civil (Vásquez Ortuño, 2022), e violência institucional por parte de funcionários públicos, atribuída a um androcentrismo persistente (Vargas Ocampo, 2019). Um estudo distinto de 2024 sobre o desenho dos centros constatou que os espaços físicos carecem frequentemente de privacidade e conforto, com "mobiliário de escritório tradicional" a comprometer a confiança das sobreviventes.
Os CJM são, assim, um modelo de atendimento único de grande escala e monitorizado oficialmente, com alcance institucional real em todos os estados mexicanos — mas a evidência revista por pares é honesta ao reconhecer que a coabitação formal de serviços não se traduziu automaticamente numa prática consistentemente eficaz e centrada na sobrevivente.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.