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Desde 2008, o programa de PSA da bacia do Guandu, no Rio de Janeiro, paga a pequenos produtores entre US$ 6,25 e 31,25/ha/ano para conservar ou restaurar mata ciliar; uma avaliação revisada por pares constatou que 41 contratos entregaram 489 ha (39% da meta de 1.258 ha), numa bacia que abastece cerca de 90% da água do Rio.
Desde 2008, o programa de pagamento por serviços ambientais (PSA) da bacia do rio Guandu, no Rio de Janeiro, tem pago a pequenos agricultores para conservar ou restaurar a Mata Atlântica ripária na bacia que abastece a Estação de Tratamento de Água do Guandu, a qual fornece cerca de 90% da água utilizada pela cidade do Rio de Janeiro, servindo aproximadamente 9 milhões de pessoas. O Programa Produtores de Água e Floresta foi lançado pelo Comitê Guandu (comité da bacia hidrográfica) em conjunto com a The Nature Conservancy Brasil e é financiado através de tarifas cobradas pelo uso bruto de água, pagas por utilizadores municipais e industriais. No âmbito do subprojeto emblemático PAF Rio Claro, 67 produtores inscreveram-se para preservar 4.036 hectares de floresta em pé e restaurar mais 514 hectares.
O programa visa proteger a Mata Atlântica ripária que filtra sedimentos e regula o fluxo de água para o sistema de reservatórios que abastece a estação de tratamento de água do Rio de Janeiro. Um esquema paralelo de PSA, avaliado de forma independente dentro do programa, paga a proprietários a montante pela restauração ripária, conservação do solo ou conservação florestal, com pagamentos entre USD 6,25 e 31,25 por hectare por ano, que aumentam consoante a proporção de área ripária mantida intacta, sujeitos a um mínimo de 15% de cobertura ripária. Uma segunda fase, iniciada em 2015, o PAF Sacra Família, visava alargar o modelo aos municípios de Mendes, Vassouras e Engenheiro Paulo de Frontin, com uma meta adicional de 1.000 hectares de preservação e 50 hectares de restauração.
No âmbito do esquema de PSA, foram assinados 41 contratos com 38 proprietários (28 homens, 9 mulheres e uma empresa), que receberam pagamentos diferenciados consoante o tipo de prática. Os proprietários do PAF Sacra Família receberam pagamentos em dinheiro, como, por exemplo, R$47.000 pagos a produtores em Engenheiro Paulo de Frontin em 2021. A restauração ripária complementar na mesma bacia é realizada separadamente pelo programa 'Replantando Vida' da concessionária de água CEDAE e pela empresa hidroelétrica LIGHT, que reporta o reflorestamento de 600 hectares desde 1992.
Uma avaliação revista por pares, publicada na revista Forests (2019), constatou que apenas 489 hectares de intervenções foram concretizados face a uma meta de 1.258 hectares (39%), distribuídos em 64,2 hectares de restauração ripária, 90,8 hectares de conservação do solo e 187,4 hectares de conservação florestal. Apenas USD 98.812 dos fundos de PSA disponíveis foram desembolsados, cerca de 50% do orçamento, face a um valor estimado de USD 600.000 gasto pelos parceiros do projeto em planeamento, implementação, comunicação e monitorização — uma proporção de cerca de 1:12 entre pagamentos diretos aos proprietários e custos indiretos. A avaliação baseou-se em dados administrativos de monitorização e de contratos relativos a um conjunto definido de intervenções, e não num grupo de comparação aleatorizado ou emparelhado.
A conclusão explícita do estudo foi a de que 'ter fundos não é garantia de sucesso', apontando a participação dos proprietários e as limitações institucionais como os principais obstáculos à concretização das metas físicas. O estudo salientou que a monitorização contínua dos serviços ecossistémicos, e não apenas o desembolso dos pagamentos, é essencial para demonstrar resultados reais de conservação.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.
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