O estuário do rio Sherbro, na Serra Leoa, abriga cerca de metade dos mangais remanescentes do país, mas o desmatamento ali avança a cerca de 1,7% ao ano desde 2012, impulsionado pelo corte de lenha e pela conversão de terras. Em outubro de 2025, 124 comunidades do estuário assinaram um acordo de partilha de benefícios com a West Africa Blue, uma empresa desenvolvedora sediada nas Maurícias, cobrindo a proteção de cerca de 79.000 hectares de mangais, com um impacto potencial ao longo da vida do projeto superior a 3 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
A filial serra-leonesa da Namati, uma ONG norte-americana de empoderamento jurídico, passou cerca de três anos a ajudar as comunidades de Sherbro a negociar o acordo, aplicando seis princípios de 'justiça do carbono' baseados na experiência de uma rede global de organizações de base com projetos de carbono anteriores. As comunidades têm garantidos 40-52,5% da receita bruta dos créditos de carbono (variável por fase), o governo da Serra Leoa recebe 7,5-15%, e uma Organização de Benefícios Comunitários tripartida (três representantes comunitários, três da empresa e três independentes) supervisiona a gestão dos fundos, com os pagamentos às comunidades divulgados no prazo de 45 dias após qualquer venda de créditos.
Já estão a chegar benefícios iniciais, para além do carbono: mais de 2.500 fogões eficientes foram distribuídos para reduzir a dependência das famílias da madeira de mangal como combustível, estando previstos fornos de secagem de peixe e equipamento de processamento. O projeto está certificado pela metodologia da Verra, utilizando uma linha de base descrita pelos promotores como conservadora, destinada a responder a críticas anteriores às metodologias de compensação de carbono terrestre e azul.
As reportagens sobre o acordo são francas quanto aos riscos: a Verra já foi alvo de escrutínio sério depois de investigações terem revelado que alguns dos seus projetos terrestres de carbono florestal geraram muito menos benefícios climáticos do que o alegado; académicos independentes descrevem 'problemas de qualidade' por resolver em muitos tipos de compensação; o quadro de compradores não exclui explicitamente empresas de combustíveis fósseis como compradoras de créditos; e o histórico pós-guerra civil de apropriação de terras por investidores externos na Serra Leoa deixou as comunidades cautelosas. Ainda não foram vendidos créditos e os resultados reais em termos de carbono e biodiversidade do projeto continuam por verificar de forma independente.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.