Após o regresso dos Talibãs ao poder em agosto de 2021, as autoridades afegãs proibiram as raparigas de frequentar o ensino secundário além do sexto ano (setembro de 2021), proibiram as mulheres nas universidades (dezembro de 2022) e proibiram as mulheres de trabalhar na maioria das ONG e nas Nações Unidas (dezembro de 2022 e abril de 2023, respetivamente), com exceções restritas como partes do setor da saúde.
Os custos medidos são substanciais. O PNUD estima que só a proibição do emprego retira 1 mil milhões de dólares por ano à economia — cerca de 5% do PIB — enquanto a UNICEF e a ONU Mulheres projetam um défice de mais de 25.000 professoras e profissionais de saúde até 2030. A participação feminina na força de trabalho, já baixa em 19% em 2020 (contra 81% dos homens), caiu ainda mais para 16,7% no terceiro trimestre de 2021 e estava projetada cerca de 25% abaixo dos níveis pré-Talibã em meados de 2022. O Afeganistão ficou em último lugar — 177.º de 177 países — no Índice de Mulheres, Paz e Segurança da Universidade de Georgetown.
Esta entrada é incluída como um caso de alerta documentado, e não como um modelo a replicar: mostra a rapidez com que os ganhos na educação de raparigas e no emprego de mulheres podem ser revertidos na ausência de salvaguardas legais e institucionais. Quatro anos depois, a ONU Mulheres relata que a maioria dos afegãos ainda apoia a educação das raparigas, mas quase oito em cada dez jovens afegãs continuam excluídas da educação, do emprego e da formação.
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