Chikwanekwane («tudo debaixo do mesmo teto» em chichewa) é o primeiro centro de balcão único do Maláui para sobreviventes de violência sexual, construído em 2012 no Hospital Central Queen Elizabeth, em Blantyre, com fundos do Reino Unido (DFID) através da UNICEF, a partir de uma equipa multidisciplinar ativa desde 2010. Pediatras, enfermeiros, assistentes sociais, agentes da Unidade de Apoio à Vítima da polícia e conselheiros voluntários prestam exame médico-legal, teste de VIH e profilaxia pós-exposição, tratamento de IST, contraceção de emergência, aconselhamento e visitas domiciliárias.
Um estudo de métodos mistos (Mulambia et al., BMC Pediatrics, 2018) acompanhou 228 crianças dos 0 aos 14 anos (99% raparigas) atendidas entre agosto de 2012 e junho de 2013; 107 tutores responderam a um questionário aos três meses. Todas as crianças tiveram exame médico e teste de VIH, cerca de 83% fizeram o teste de seguimento aos 3 meses, 84% viram um conselheiro e 95% tiveram queixa policial. No entanto, apenas 29% receberam visita domiciliária da ação social (sobretudo por falta de transporte), 27,1% dos casos terminaram em condenação e só 18% receberam todos os serviços exigidos pelas normas nacionais.
73,8% dos tutores ficaram satisfeitos e 26,2% não; a queixa principal foi a resposta policial, incluindo perceção de corrupção ou negligência. Os autores concluem que o modelo é adequado ao Maláui, mas assinalam limites: 26% das famílias elegíveis não participaram, a criança não foi entrevistada, a amostra era só urbana e a análise da satisfação pode ter tido pouco poder estatístico. A imprensa (Bhekisisa, 2019) refere menos de 50 pacientes por mês entre 2014 e 2018, o que um responsável de proteção infantil da UNICEF classificou como uma gota no oceano. Lições: a coabitação garantiu cuidados clínicos de forma fiável, mas os resultados judiciais, o transporte para seguimento e o alcance rural continuam a ser lacunas.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.