Mikoko Pamoja — Projeto Comunitário de Carbono de Mangue (Baía de Gazi, Quénia)
Quénia
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Desde 2008, a Océanium e o Livelihoods Carbon Fund replantaram 79 milhões de mangues em +10 000 ha no Senegal; um estudo de 2020 revisto por pares apurou que 96% da regeneração era natural, e ~168 000 dos ~500 000 créditos vendidos não tinham sustentação.
A partir de 2008, a ONG senegalesa Océanium de Dakar associou-se ao Livelihoods Carbon Fund (financiado inicialmente pela Danone) para replantar mangais nos deltas dos rios Saloum e Casamansa, mobilizando cerca de 350 aldeias e 100 000 pessoas para plantar cerca de 79 milhões de propágulos de mangue em mais de 10 000 hectares. O programa, frequentemente descrito como o maior esforço de restauro de mangais do mundo, foi estruturado como um regime voluntário de créditos de carbono de 20 a 30 anos, com cerca de 500 000 créditos vendidos para um objetivo projetado de 0,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente sequestradas ao longo da sua vida útil.
Uma investigação independente revista por pares (Andrieu et al., 2020, Forest Ecology and Management) utilizou imagens de satélite históricas para distinguir o mangue plantado do regenerado naturalmente e concluiu que cerca de 96% da regeneração observada entre 2009 e 2012 foi espontânea, ligada à recuperação da pluviosidade após uma seca, e não atribuível ao replantio; o estudo reportou uma sobrevivência de apenas 18,3–20,5% entre as árvores efetivamente plantadas, com cerca de 36% das parcelas monitorizadas a falhar completamente, e citou locais plantados a até 9 quilómetros do canal de maré mais próximo, onde o mangue não conseguiu estabelecer-se.
Reportagens de investigação subsequentes, baseadas nos próprios relatórios de monitorização do projeto, estimaram que cerca de 168 000 dos créditos vendidos (aproximadamente um terço) não tinham qualquer benefício ambiental de suporte, em parte porque um relatório de monitorização posterior aumentou os valores assumidos de carbono no solo em quase 40% sem novas evidências de campo, e porque a empresa de monitorização tinha assumido uma sobrevivência de 100% das árvores plantadas, apesar da baixa taxa de sobrevivência medida. A mesma reportagem constatou que apenas cerca de 5,2% dos gastos do programa chegaram diretamente às comunidades locais. Este caso é aqui incluído como um exemplo cautelar documentado das falhas de monitorização, comunicação e verificação que podem comprometer regimes de PES de carbono azul mesmo em grande escala, e não como um modelo a replicar sem espírito crítico.
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