Investigadores do Institut International d'Ingénierie de l'Eau et de l'Environnement (2iE), em Uagadugu, construíram e monitorizaram uma zona húmida construída de fluxo horizontal subsuperficial, à escala real, para uma habitação rural em Noungou, na área de Koubri, ao sul de Uagadugu, Burquina Faso. O sistema — um duche que alimenta um tanque recetor, um filtro simples de pré-tratamento e uma célula húmida plantada com vetiver (Chrysopogon zizanioides), construída com materiais locais — trata águas cinzentas domésticas mistas (lavagem de roupa, loiça e banho) para reutilização, principalmente na irrigação, num contexto saheliano árido onde a água é escassa.
Durante um período de monitorização de quatro semanas, em junho-julho de 2022, o sistema removeu mais de 90% da matéria orgânica e reduziu o ortofosfato e o amónio em 73% e 60%, respetivamente; os indicadores patogénicos (coliformes fecais e enterococos) foram reduzidos em 3,4 a 4,2 unidades log10, cumprindo as orientações da Organização Mundial da Saúde para água reutilizada em irrigação restrita. O design utiliza apenas materiais locais e fluxo por gravidade, tornando-o um modelo plausível de baixo custo para outras habitações rurais sahelianas que enfrentam stress hídrico semelhante.
A base de evidência é ainda limitada: trata-se de um projeto-piloto de quatro semanas numa única habitação, conduzido por um instituto de investigação, e não de um programa à escala ou gerido pelo governo, pelo que os resultados sobre desempenho a longo prazo, encargos de manutenção e replicação além do local-piloto ainda não estão disponíveis.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.