Zonas Húmidas do Leste de Calcutá: piscicultura alimentada por esgoto que trata as águas residuais da cidade
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A restauração da Lagoa de Korle, em Acra, dragou uma das massas de água mais poluídas do mundo e construiu novas infraestruturas de drenagem e tratamento de esgotos para reduzir as inundações, com um custo total de cerca de 38 milhões de dólares. As sucessivas expulsões forçadas do bairro vizinho de Old Fadama — condenadas pela Amnistia Internacional — mostram ganhos de engenharia obtidos com graves custos em direitos humanos.
A Lagoa de Korle situa-se na foz do rio Odaw, no centro de Acra, e nos anos 1990 tornara-se uma das massas de água mais poluídas do mundo, obstruída por efluentes industriais e resíduos sólidos que também bloqueavam a principal saída de drenagem de cheias da cidade para o mar.
O Projeto de Restauração Ecológica da Lagoa de Korle (KLERP), aprovado em 1995 e executado pelo Ministério das Obras e Habitação do Gana com a Assembleia Metropolitana de Acra, dragou a lagoa e melhorou o canal de drenagem do Odaw, instalou cerca de 3.100 metros de novas condutas de drenagem e construiu uma capacidade de tratamento de esgotos de cerca de 1.300 metros cúbicos por dia. O custo total do projeto atingiu 37,74 milhões de dólares, financiado pelo Fundo da OPEP para o Desenvolvimento Internacional (6 milhões de dólares), pelo Fundo do Kuwait para o Desenvolvimento Árabe, pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África e pelo Governo do Gana.
A justificação de controlo de cheias do projeto foi usada repetidamente para justificar demolições em Old Fadama, o assentamento informal vizinho, com uma população estimada entre 55.000 e 200.000 residentes. Houve expulsões de agregados familiares em 1993 (cerca de 400), em 2002, em 2012 e novamente em junho de 2015, quando até 2.000 agregados familiares foram removidos com pouco ou nenhum aviso prévio e sem plano de realojamento. A Amnistia Internacional Gana condenou publicamente as expulsões, com o seu diretor a afirmar que "o desenvolvimento nunca deve ter como custo os direitos humanos".
O KLERP ilustra, assim, um caso real mas ambíguo: proporcionou capacidade de engenharia mensurável para a gestão de cheias e de águas residuais, mas o deslocamento associado — realizado sem compensação, consulta ou plano de realojamento adequados — constitui uma falha de governação documentada que qualquer replicação deveria explicitamente evitar.
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