A Somália apresenta uma das taxas de cobertura de identidade mais baixas do mundo: o Banco Mundial estima que menos de 16% da população possuía qualquer forma de identificação emitida pelo governo antes deste esforço. A Autoridade Nacional de Identificação e Registo da Somália (NIRA), criada ao abrigo da Lei de Identificação e Registo (Lei n.º 009, de março de 2023), lançou a sua identidade digital "eAqoonsi" em setembro de 2023 e, com financiamento do Banco Mundial (projetos SCALED-UP e SPRING) e assistência técnica da NADRA do Paquistão, iniciou o registo biométrico em massa nos distritos de Shangani e Boondheer, em Mogadíscio, em agosto de 2025.
As impressões digitais e os dados biométricos faciais dos cidadãos são recolhidos e comparados com uma base de dados central através de um motor de desduplicação de IA/aprendizagem automática (a plataforma de verificação "Hubiye"), garantindo que cada pessoa é registada apenas uma vez — a mesma categoria de correspondência biométrica 1:N usada em sistemas comparáveis já documentados no Gana, na Nigéria, no Ruanda e no Uganda. Desde 1 de setembro de 2025, os bancos são obrigados a usar esta identidade para abrir ou atualizar contas, e, na conferência da NIRA de 24-25 de novembro de 2025, mais de 24 serviços públicos e privados já estavam integrados.
Num evento do Dia Mundial da Identidade, em Mogadíscio, a 20 de setembro de 2026, o Ministro do Interior, Assuntos Federais e Reconciliação, Ali Yusuf Ali Hoosh, afirmou que a NIRA já registou mais de 1,5 milhões de cidadãos desde 2023, a caminho de uma meta de 15 milhões até 2029; referiu que a emissão da identidade continua gratuita dentro da Somália e será em breve alargada às embaixadas somalis no estrangeiro, com prioridade para pessoas com deficiência e comunidades deslocadas, e sublinhou as responsabilidades de proteção de dados para as entidades públicas e privadas que utilizam o sistema, sem detalhar as salvaguardas técnicas. A NIRA afirmou separadamente que ainda necessita de 125 milhões de dólares para concluir a implementação a nível nacional, e o esforço prossegue num dos ambientes de segurança e institucionais mais frágeis do mundo.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.