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Boa prática Importada

Lei 5777/2016 do Paraguai — Criminalização Abrangente do Femicídio e de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres

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Aprovada em dezembro de 2016, a Lei 5777/16 tornou o Paraguai o 18.º país latino-americano a criminalizar o femicídio (10–30 anos de prisão), criou o Observatório da Mulher e gerou um recorde de 13.491 participações de violência doméstica em 2017 — embora baixas taxas de condenação revelem lacunas persistentes na implementação.

13,491
Denúncias de violência doméstica apresentadas (2017)
143 deaths (avg. 36/year)
Mortes por feminicídio documentadas (2019–2022)
94%
Agressores conhecidos da vítima (2019–2022)
23.8%
Mulheres no parlamento do Paraguai (February 2024)
Lei 5777/2016 do Paraguai — Criminalização Abrangente do Femicídio e de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres

Detalhes

Maturidade
Consolidada
Promotor
Congreso Nacional de Paraguay / Ministerio de la Mujer
Período
2016–present
Palavras-chave
legislation, justice, gender equality

Contexto

Antes de 2016, a lei paraguaia tratava o feminicídio como homicídio agravado, e não como um crime autónomo, o que dificultava a acusação de assassinatos motivados por género e tornava impossível a recolha sistemática de dados.

Objetivos

A Lei 5777/2016 propôs-se criar o feminicídio como crime autónomo, estabelecer um quadro jurídico abrangente que aborda a violência física, psicológica, sexual, económica e reprodutiva contra as mulheres, e construir a capacidade institucional para a monitorizar e responder-lhe.

Atividades

Promulgada em dezembro de 2016 e regulamentada pelo Decreto 6973 (2017), a lei: (i) cria o feminicídio como crime autónomo, com pena de 10 a 30 anos de prisão; (ii) estabelece um quadro abrangente que aborda a violência física, psicológica, sexual, económica e reprodutiva; (iii) determina a criação do Observatório da Mulher (Artigo 31) no Ministério da Mulher, para monitorizar e produzir dados anuais sobre a violência contra as mulheres; e (iv) exige coordenação interinstitucional entre a polícia, o Ministério Público, os serviços de saúde e os organismos de proteção social.

Resultados

A aprovação da lei desencadeou um forte aumento dos casos reportados: foram apresentadas 13.491 denúncias de violência doméstica em 2017, um recorde na altura, sinalizando um aumento das denúncias por parte das vítimas e uma melhor classificação policial. Entre 2019 e 2022, o Observatório documentou 143 mortes por feminicídio — uma média de 36 por ano, ou uma a cada dez dias. Os dados revelam que 94% dos agressores eram conhecidos da vítima, 86% eram parceiros íntimos atuais ou anteriores, 76% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos, e os feminicídios ocorreram em 16 dos 17 departamentos do Paraguai. No entanto, as taxas de condenação mantêm-se baixas face ao volume de casos: tanto a revista de investigação do próprio Ministério Público como a ONU Mulheres documentaram deficiências na capacidade de investigação e nos serviços de apoio às vítimas.

Conclusões

A lei é amplamente citada como um avanço normativo essencial, que permitiu pela primeira vez uma monitorização sistemática da violência de género, mas cuja aplicação exige um investimento sustentado do Estado. O Paraguai tem 23,8% de mulheres no parlamento (fevereiro de 2024), o que evidencia que o progresso legislativo e judicial coexiste com lacunas mais amplas de representação.

Implementação

Custo indicativo
Médio (50 mil–500 mil €)
Tempo até resultados
Longo (> 3 anos) — Enacted December 2016, regulated by Decree 6973 (2017); in force continuously since, with annual Observatory monitoring.
Equipa e competências
Enforcement and monitoring run jointly by the Ministerio Público (prosecutors), police, health services and social protection agencies, coordinated under the Ministry of Women's Women's Observatory (Article 31), which produces annual violence-against-women data.

Condições de sucesso

  • Mandated inter-institutional coordination across police, prosecutors, health and social-protection agencies.
  • A dedicated Women's Observatory producing systematic annual monitoring data, filling a data gap that existed before 2016.

Modos de falha comuns

  • Conviction rates remain low relative to case volume, per the Ministerio Público's own research journal and UN Women, indicating investigative-capacity and victim-support gaps persist despite the legal framework.

Onde se enquadra

Tipo de governação
national legislation
Escala
national (Paraguay)
Nível de rendimento
upper-middle-income

Habitualmente financiado por

National / regional programmes

Vias de financiamento indicativas para práticas deste tipo — verifique sempre os avisos abertos e as regras de elegibilidade de cada programa.

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Fontes de dados

De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.

Anexos

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