A FarmStrong Foundation, uma ONG suíça fundada em 2016, trabalha com comunidades produtoras de cacau na região de Nawa, na Costa do Marfim (em torno de Soubré e Abengourou), consorciando as plantações de cacau existentes com árvores de madeira e de fruta no âmbito do programa agroflorestal de carbono Acorn, do Rabobank, que utiliza uma metodologia certificada pelo Plan Vivo e monitorização por satélite para converter o sequestro de carbono medido em Unidades de Remoção de Carbono (CRUs) negociáveis.
Desde o início do projeto em 2021, já foram cobertos 50.942 hectares e geradas 122.457 CRUs, tornando-o na maior fonte individual de créditos vendidos através da plataforma Acorn do Rabobank — mais de um terço do total de vendas do banco. A Microsoft, primeira cliente empresarial da Acorn, comprou 34.989 destes créditos em 2023 por cerca de 1 milhão de euros, a um preço de tabela de aproximadamente 35 euros por crédito.
O projeto também tem sido alvo de escrutínio sério. Uma auditoria realizada em junho de 2022 pela entidade certificadora Preferred by Nature, no âmbito do próprio processo de certificação do Plan Vivo, concluiu que as CRUs emitidas sobrestimavam as remoções reais de gases com efeito de estufa em mais de seis vezes (600%), e que nenhuma entidade terceira tinha verificado que os créditos correspondiam a plantações adicionais de árvores para além das já em curso através da Iniciativa Cacau e Florestas da Costa do Marfim. O Rabobank afirmou ter ajustado os seus modelos internos de cálculo, mas não implementou as recomendações de verificação externa da auditoria. Separadamente, em novembro de 2023, o ministro do Ambiente da Costa do Marfim solicitou ao Rabobank a suspensão das atividades na região de Nawa, por a área do projeto se sobrepor a créditos de carbono florestal já vendidos pelo governo ao Forest Carbon Partnership Facility do Banco Mundial — um risco de dupla contagem que permanecia por resolver.
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