Os alunos surdos nas escolas quenianas são ensinados sobretudo através de língua gestual, mas a fluência varia muito entre professores e alunos, e disciplinas abstratas como ciências e matemática são particularmente difíceis de transmitir sem um vocabulário técnico partilhado; os professores relatam ter de repetir instruções ou escrever tudo no quadro para que os alunos consigam acompanhar.
Em 2025, a ONG inABLE, sediada em Nairobi — incluída na primeira lista Accessibility 100 da Forbes e já conhecida por ter sido pioneira em laboratórios de tecnologia assistiva para alunos quenianos cegos e com baixa visão — associou-se à Google para testar legendagem em tempo real na Escola Primária Kambui para Surdos, no condado de Kiambu. Quatro salas de aula, um laboratório de informática e uma sala comum foram equipados com um ecrã de 65 polegadas, um microfone e um portátil a correr a aplicação Live Transcribe da Google, que converte a fala dos professores em texto exibido ao vivo no ecrã.
A inABLE relata que o piloto abrangeu mais de 108 alunos e 15 professores, registando mais de 700 horas de uso em sala de aula, com professores e alunos a descreverem melhor compreensão e participação e menor necessidade de repetir instruções. Um aluno é citado: "Antes das legendas, eu costumava adivinhar o que o professor estava a dizer. Agora consigo acompanhar cada palavra."
Estes resultados são autorreportados pela organização que lidera o projeto, e não avaliados de forma independente, e o próprio relato da inABLE assinala que uma ligação à internet fiável, microfones de qualidade e apoio contínuo dos professores são pré-condições necessárias que estão longe de garantidas na maioria das escolas quenianas. A inABLE e a Google descrevem planos para replicar o modelo noutros locais do Quénia e além, mas, até este piloto, trata-se ainda de uma implementação numa única escola.
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