O Arquipélago Pontino (Ventotene, Santo Stefano, Palmarola, Zannone, Ponza), ao largo do Lácio, Itália, alberga importantes colónias mediterrânicas de cagarra-de-Scopoli e de pardela-do-Mediterrâneo, mas ratos-pretos (Rattus rattus) introduzidos predavam ovos e crias e impunham custos diretos aos cerca de 700 residentes permanentes de Ventotene.
Entre 2015 e 2022, o projeto LIFE PonDerat (LIFE14 NAT/IT/000544; orçamento total de €1.788.216, contribuição da UE de €1.072.930), liderado pela Direção do Ambiente da Região do Lácio com o ISPRA, a autoridade da Área Marinha Protegida de Ventotene e Santo Stefano, a NEMO e a Universidade Sapienza de Roma, erradicou o rato-preto da habitada ilha de Ventotene — referida como uma das maiores ilhas habitadas alguma vez libertadas de ratos a nível mundial.
Um estudo revisto por pares publicado em 2024 na Pest Management Science (Capizzi et al.) verificou que o sucesso reprodutor da cagarra-de-Scopoli subiu de cerca de 10% para mais de 90% no espaço de quatro anos após a erradicação, enquanto os ratos custavam anteriormente aos residentes pelo menos €18.500 por ano em danos agrícolas e estruturais, tendo sido também eliminados vários agentes patogénicos zoonóticos transportados pelos roedores.
Erradicar ratos numa ilha habitada, com animais domésticos e apoio comunitário desigual, revelou-se logisticamente mais difícil do que campanhas em ilhas desabitadas, sendo necessária biossegurança sustentada para evitar a reinvasão através do tráfego de embarcações vindas de ilhas próximas ainda infestadas, como Ponza.
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