O Parque Arqueológico de Angkor, em Siem Reap, Camboja, classificado pela UNESCO desde 1992, é tanto uma paisagem hidráulica como monumental: os seus templos, incluindo Angkor Wat e Angkor Thom, dependem do nível freático mantido por uma antiga rede de barays (reservatórios) e fossos, e da cobertura florestal envolvente que regula o escoamento e estabiliza os solos arenosos sobre os quais assentam as fundações dos templos. A APSARA National Authority, o organismo estatal cambojano responsável pelo sítio, realiza obras de restauração hidráulica desde 2005, enchendo e mantendo reservatórios como o Srah Srang e os fossos de Angkor Thom e Angkor Wat; o acompanhamento académico do North Baray registou volumes de água armazenada a subir de cerca de 700.000 metros cúbicos em 2008 para aproximadamente 5.000.000 de metros cúbicos por ano entre 2011 e 2013, e a APSARA conduziu ainda um projeto adicional de recarga de águas subterrâneas e mitigação de cheias em todo o parque, entre 2014 e 2018.
Desde 2015, a APSARA e organizações parceiras — incluindo a ONG Archaeology and Development Foundation (ADF), ativa na área de Phnom Kulen — têm conduzido programas de reflorestação para proteger o solo e a hidrologia do parque; só a ADF relata ter plantado árvores em cerca de 220 hectares desde 2015, e plantações lideradas pela APSARA, cobrindo cerca de 800 hectares e cerca de 100.000 árvores, foram reportadas no distrito de Banteay Srei e em Phnom Kulen, além de campanhas anuais de distribuição de árvores em maior escala. A venda de bilhetes a visitantes estrangeiros, gerida pela empresa estatal Angkor Enterprise, gerou cerca de 11,5 milhões de dólares em 2022 e, com a recuperação do turismo internacional, cerca de 37 milhões de dólares em 2023, provenientes de quase 800.000 visitantes estrangeiros — receita que financia o orçamento operacional da APSARA, no qual se inscreve este trabalho de conservação e reflorestação.
As fontes disponíveis documentam atividade hidráulica e de reflorestação real e quantificada, e uma base de receitas turísticas grande e crescente, mas não estabelecem uma consignação transparente e fixa das receitas dos bilhetes especificamente para a conservação florestal ou hídrica, nem uma avaliação de impacto independente que isole que parte da estabilidade estrutural dos templos é atribuível a estes trabalhos, em contraste com projetos de conservação financiados separadamente (como o antigo German Apsara Conservation Project). A prática lê-se melhor como um sítio patrimonial cujas receitas turísticas crescentes coexistem com, e plausivelmente ajudam a sustentar, um conjunto ativo mas administrativamente fragmentado de esforços de conservação baseados na natureza, e não como um único esquema auditado de pagamento por serviços ecossistémicos.
Como prática baseada na natureza e ligada ao património cultural, Angkor mostra como as receitas do turismo patrimonial e a restauração de ecossistemas podem estar estruturalmente ligadas em grande escala, com dados de monitorização hidrológica credíveis e específicos, mas o percurso do financiamento entre a venda de bilhetes e as despesas de conservação não está quantificado de forma transparente nas fontes públicas, e os relatos de reflorestação estão fragmentados entre vários atores em vez de acompanhados como um único programa.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.