A chefe superior Theresa Kachindamoto tornou-se chefe suprema do distrito de Dedza, no centro do Maláui, em 2003, supervisionando cerca de 900.000 pessoas em dezenas de aldeias, num país onde mais de metade das raparigas casava antes dos 18 anos, segundo um estudo da ONU de 2012, e cerca de uma em cada dez pessoas vivia com VIH.
Kachindamoto reuniu cerca de 50 subchefes e fê-los assinar acordos proibindo o casamento infantil e a "iniciação sexual" de raparigas com apenas sete anos nas suas aldeias, tendo depois destituído pelo menos quatro subchefes que se recusaram a aplicar a proibição. Várias fontes, incluindo a ONU Mulheres Austrália e a IPPF África, relatam que ela criou um sistema informal de vigilância comunitária para identificar novos casamentos infantis para que pudessem ser anulados, com as famílias a receberem apoio, como propinas escolares subsidiadas, para manterem as raparigas na escola após a dissolução dos casamentos.
As contagens independentes variam consoante o ano e a fonte: a Global Citizen relatou mais de 850 anulações num período de cerca de três anos em meados da década de 2010, enquanto perfis posteriores situam o total acumulado perto de 2.600-3.500 ao longo de cerca de duas décadas no cargo — todas as fontes concordam que cada casamento anulado foi seguido do regresso da rapariga à escola. Em 2017, Kachindamoto foi uma das principais defensoras da emenda constitucional do Maláui que elevou a idade mínima legal de casamento de 15 para 18 anos em todo o país, uma reforma que a ONU Mulheres citou como exemplo de ligação entre a autoridade tradicional e a mudança legislativa. Morreu em agosto de 2025; a cobertura da sua morte assinalou incerteza quanto à continuidade da sua rede informal de vigilância pelos sucessores, embora a lei nacional sobre a idade de casamento permaneça em vigor independentemente de qualquer chefe individual.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.