M-Pesa – Dinheiro Móvel como Infraestrutura de Inclusão Financeira e Digital
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O grupo marfinense Cerco integrou o sistema por voz 'Kone' — 17 línguas nacionais e mais dezenas africanas — num smartphone 'OpenG', para que quem não sabe ler nem escrever, cerca de 40% da população, consulte o saldo bancário ou serviços públicos só pela voz.
A Cerco, um grupo tecnológico e educativo marfinense fundado por Alain Capo-Chichi, desenvolveu o 'Kone', um sistema operativo comandado por voz que responde a comandos falados em baoulé, bété, diúla e mais 14 línguas faladas na Costa do Marfim, além de cerca de 50 outras línguas africanas, para que pessoas que não conseguem ler menus baseados em texto continuem a poder usar um smartphone em tarefas quotidianas e junto de serviços públicos, como consultar o saldo bancário ou ouvir um documento oficial lido em voz alta.
Lançado comercialmente em julho de 2022 como o aparelho 'OpenG' ou 'Superphone', o produto é fabricado na ICT and Biotechnology Village, em Grand-Bassam, no âmbito de uma parceria com o governo — a Cerco não paga impostos de importação nem direitos aduaneiros nessa zona franca, em troca de formar cerca de 1.200 jovens por ano e de entregar uma parte da receita ao Estado — e é distribuído a nível nacional através de 200 lojas da operadora Orange, com planos de expansão para mais de uma dezena de outros países africanos.
Vários meios de comunicação independentes (Africanews, VOA, News24 e TechXplore, entre outros) noticiaram que a Cerco tinha recebido 200.000 encomendas de telefones até setembro de 2022, pouco depois do lançamento; trata-se de dados de pré-encomendas e vendas, e não de uma avaliação medida de usabilidade ou de resultados, e não foi encontrado nenhum estudo independente sobre como os utilizadores analfabetos usam efetivamente o dispositivo no dia a dia, nem sobre taxas de conclusão de tarefas ou de erro — uma lacuna que vale a pena assinalar, dada a solidez do conceito de design subjacente.
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