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A ferramenta de triagem telefónica por IA da Babyl Ruanda, gerida pela britânica Babylon Health ao abrigo de uma parceria de 10 anos com o governo, chegou a mais de 450 dos 510 centros de saúde primários do Ruanda e a 2,6 milhões de pacientes, antes de parar em setembro de 2023 quando a sua empresa-mãe estrangeira declarou falência.
A Babyl Ruanda começou em 2016 como um serviço de telemedicina por call center, no âmbito de uma parceria público-privada de 10 anos entre a empresa britânica Babylon Health e o Ministério da Saúde do Ruanda, integrado com o regime nacional de seguro de saúde comunitário. Em dezembro de 2021, a Babylon acrescentou um motor de triagem por IA: os enfermeiros usavam um modelo de aprendizagem automática, adaptado à língua, epidemiologia e cultura ruandesas, para avaliar os sintomas relatados pelos pacientes e encaminhá-los para autocuidado, referência a uma clínica ou consulta remota.
O serviço alcançou uma cobertura nacional profunda: no momento do seu colapso, operava em mais de 450 dos cerca de 510 centros de saúde primários do Ruanda, tinha registado entre 2,6 e 2,8 milhões de pacientes, e chegou a processar até 4.000 consultas por dia no pico, segundo a empresa e a imprensa especializada. Uma avaliação revista por pares, publicada no Journal of Medical Internet Research, analisou a implementação face ao quadro RESET da OMS/Fórum Económico Mundial para IA na saúde, e assinalou lacunas específicas na supervisão de segurança, responsabilização e transparência, a par do seu alcance real.
O serviço terminou abruptamente em setembro de 2023, quando a empresa-mãe da Babylon Health declarou falência ao abrigo do Chapter 7 dos EUA e encerrou operações em todo o mundo, cortando de imediato o acesso a cuidados de saúde digitais que uma análise independente do setor de desenvolvimento estimou cobrir cerca de 20% da população do Ruanda. A imprensa ruandesa cobriu o encerramento como um caso de estudo sobre o risco de construir a prestação de serviços nacionais de saúde sobre um único fornecedor privado estrangeiro: uma parceria governamental de uma década e uma integração profunda no sistema nacional de seguros não ofereceram qualquer proteção contra um colapso financeiro empresarial a milhares de quilómetros de distância.
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