Projeto de Erradicação de Roedores da Ilha Lord Howe
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Duas décadas de esterilização de gatos no arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha não reduziram a população assilvestrada, estimada em 1.287 animais num levantamento de 2015. Monitorização com revisão por pares documenta predação contínua sobre répteis endémicos e aves marinhas, e uma lei estadual que impede o controlo letal.
Fernando de Noronha, um parque nacional marinho Património Mundial da UNESCO ao largo da costa nordeste do Brasil, alberga o escincídeo endémico de Noronha e colónias remanescentes de aves marinhas, hoje largamente restritas a ilhéus periféricos livres de gatos e ratos, após a predação histórica ter colapsado a reprodução na ilha principal.
O programa de gestão de gatos do ICMBio visa reduzir a predação de gatos ferais sobre a fauna nativa e endémica através de esterilização e realojamento, operando ao abrigo de um plano de ação formal e limitado por uma lei estadual de Pernambuco que proíbe o controlo letal de gatos.
Entre 2004 e 2010, o ICMBio esterilizou cerca de 450 gatos ferais na ilha principal. Uma campanha em 2019 esterilizou 605 gatos em 20 dias. Um programa paralelo de adoção realojou gatos no Brasil continental, embora um estudo de caso publicado indique que este alcançou apenas 10 a 20 gatos realojados.
Apesar destes esforços, um levantamento por amostragem de distância em 2015 estimou a população residente de gatos em 1.287 animais, e a captura em vivo entre 2015 e 2017 registou densidades de ratazanas de cerca de 37 por hectare em habitat florestado. Os investigadores documentaram predação contínua de gatos sobre o escincídeo de Noronha, a cobra-de-duas-cabeças e aves marinhas — incluindo pelo menos 11 carcaças predadas de rabo-de-junco de bico vermelho encontradas apenas em 2014-2015 — com uma colónia de atobá-mascarado reduzida a menos de 20 casais e de rabos-de-junco de bico vermelho a menos de 10 indivíduos num dos locais monitorizados.
O estudo de caso publicado identifica a lei estadual de Pernambuco contra o controlo letal como a principal barreira estrutural: a gestão tem seguido um modelo urbano continental de esterilização e cuidados veterinários, em vez de uma abordagem de erradicação insular, e os investigadores concluem que isto não produziu resultados de conservação mensuráveis. Investigadores do ICMBio pedem uma estratégia integrada e revista, notando que o controlo apenas por esterilização não igualou os resultados alcançados noutros locais (por exemplo, Seicheles, Polinésia Francesa) através de erradicação letal combinada com biossegurança.
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