Restaurando as Galerias Khettara e os Canais Seguia nos Oásis de Marrocos
Marrocos
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Nos oásis argelinos de Touat, Gourara e Tidikelt, as galerias foggara geridas pela comunidade ainda fornecem um caudal combinado de 1,8 m³/s a partir de 672 dos cerca de 2.000 canais históricos, com a área irrigada por foggara a crescer de 9.800 para mais de 15.000 hectares entre 1980 e 2014.
As foggara são galerias subterrâneas com ligeira inclinação, com comprimentos entre dezenas e milhares de metros, que interceptam águas subterrâneas superficiais e as transportam por gravidade — sem bombas nem energia externa — até pontos de distribuição à superfície que alimentam os jardins dos oásis. Nas regiões de Touat, Gourara e Tidikelt, em torno de Adrar, no Saara argelino, as foggara sustentam há séculos a agricultura oásica de tamareiras. A governação assenta em famílias locais proprietárias das foggara, organizadas através de conselhos djemaâ das aldeias, com disputas historicamente arbitradas por zawiya religiosas — uma instituição duradoura e autogovernada de recursos comuns, e não um programa estatal.
Um levantamento de campo realizado entre 2010 e 2016 (publicado em 2021 no International Journal of the Commons) examinou 18 foggara em 13 oásis e situou-as no inventário regional mais amplo: dos cerca de 2.000 foggara historicamente registadas em Touat, Gourara e Tidikelt, 672 permaneciam funcionais, fornecendo um caudal perene combinado de cerca de 1,8 m³/s. Apesar deste declínio, a área irrigada pelo setor tradicional alimentado por foggara cresceu de 9.800 hectares em 1980 para 15.121 hectares em 2014, à medida que as comunidades se adaptaram — inclusive, como documentado separadamente para os oásis de Touat (Cahiers Agricultures/Plataforma de Conhecimento sobre Agricultura Familiar da FAO), bombeando águas subterrâneas para realimentar artificialmente algumas galerias.
O sistema está sob pressão real: cerca de dois terços das foggara históricas já secaram à medida que os níveis freáticos regionais descem, e a realimentação por bombagem é, em si, um afastamento do desenho original totalmente gravitico e sem consumo de energia, aumentando os custos e reduzindo a clássica vantagem de sustentabilidade da prática. A sua resiliência assenta, até agora, em instituições locais adaptativas, e não em investimento externo ou monitorização formal, ao contrário do novo programa khettara de Marrocos, financiado internacionalmente.
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