O Fundo Nacional de Assistência (NAF) da Jordânia, sob tutela do Ministério do Desenvolvimento Social, opera o Takaful — um programa de transferência monetária codesenhado com o Banco Mundial que usa um sistema de elegibilidade algorítmica para identificar e classificar famílias vulneráveis. Lançado em 2019, o programa abrangia mais de 250.000 famílias em 2023, visando os cerca de 24% da população jordaniana que vive abaixo da linha de pobreza.
O algoritmo avalia as famílias com base em 57 fatores não divulgados, numa única avaliação temporal, para atribuir pontuações de elegibilidade que determinam os montantes das transferências. O Banco Mundial prestou apoio técnico ao codesign, enquadrando o direcionamento algorítmico como forma de melhorar a precisão e reduzir a discricionariedade.
Duas avaliações independentes documentam falhas significativas de governação. A Human Rights Watch (julho de 2023) concluiu que o sistema é excessivamente rígido e exclui sistematicamente refugiados sírios, palestinianos sem passaporte jordaniano, trabalhadores migrantes e familiares não-jordanianos de mulheres jordanianas. O CHRGJ (fevereiro de 2024) documentou ainda como a total opacidade do algoritmo priva as famílias afetadas de mecanismos de recurso significativos.
O Takaful ilustra o dilema recorrente na proteção social baseada em IA: o alcance nacional é alcançável, mas critérios opacos e avaliações pontuais podem consolidar exclusões de populações especialmente vulneráveis.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.