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Entre 2015 e 2020, Paris deixou três associações transformarem um hospital devoluto de 3,4 ha nos 'Les Grands Voisins': ~2000 pessoas a viver/trabalhar no local, 600 mil visitantes/ano, antes de a missão social ser integrada num eco-bairro permanente.
Entre o encerramento, em 2012, da maternidade Saint-Vincent-de-Paul e o início das obras de reconversão, a Cidade de Paris e o seu operador de planeamento, a Paris & Métropole Aménagement, autorizaram a ocupação temporária do terreno devoluto de 3,4 hectares no 14.º arrondissement. De outubro de 2015 a 2020, um consórcio de três associações geriu o local em conjunto: a Aurore assegurou alojamento de emergência e apoio à reinserção para pessoas sem-abrigo e em situação de vulnerabilidade, a Plateau Urbain subarrendou espaços de trabalho a preços abaixo do mercado a associações, start-ups, artesãos e artistas, e a Yes We Camp abriu e programou o recinto como um espaço cultural público.
Segundo a Câmara do 14.º arrondissement (Mairie du 14e), o local era utilizado em simultâneo por cerca de 2000 pessoas para habitação, trabalho ou atividades, com mais de 1000 pessoas a passarem pelas vagas de alojamento de emergência ao longo da vida do projeto; atraía cerca de 600 mil visitantes por ano e acolheu mais de 300 eventos culturais e educativos com a ajuda de cerca de 5000 voluntários — tornando-se, segundo a maioria das análises, o maior projeto de urbanismo transitório da Europa na época. Tornou-se desde então um caso de referência na investigação académica em planeamento urbano, incluindo um artigo de 2021 na revista International Planning Studies sobre "o urbanismo transitório como nova estratégia de política pública", que pondera este tipo de projetos como ferramentas genúinas para testar usos antes da reconversão permanente, mas também como um risco de legitimar a gentrificação sem compromissos de longo prazo correspondentes.
Em vez de terminar simplesmente quando as obras começaram em 2018, os planeadores optaram por transportar a missão social do projeto para o eco-bairro permanente agora em construção no local, que inclui habitação social, um centro de alojamento de emergência e espaço reservado a organizações da economia social — uma tentativa explícita de converter uma experiência temporária em política de bairro duradoura.
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