O Presupuesto Participativo (PP) de Montevideu começou em 1990, sob o intendente Tabaré Vázquez, como parte da reforma de descentralização da cidade, inicialmente como um processo consultivo; uma revisão de regras em 2005 tornou-o um mecanismo vinculativo de votação universal a partir de 2006. O estudo comparativo de Cabannes sobre 25 cidades coloca Montevideu ao lado de Porto Alegre na onda fundadora do orçamento participativo a nível mundial, chamando-lhe 'uma das experiências mais consolidadas fora do Brasil'. Qualquer pessoa com 16 ou mais anos que viva, trabalhe ou estude em Montevideu pode propor e votar; as propostas são tecnicamente avaliadas, limitadas a 4,5 milhões de UYU cada, e financiadas estritamente por ordem de votos até esgotar cada um dos 18 orçamentos zonais.
Os dados de resultados são substanciais e abrangem vários ciclos: mais de 9.100 propostas foram submetidas entre 2006–2018, das quais 383 foram eleitas; o ciclo de 2018 reuniu 831 propostas e elegeu 51; o ciclo de 2021 estabeleceu um recorde com 899 propostas e 89.722 votos combinados; o ciclo de 2023 submeteu 390 propostas aprovadas a votação em toda a cidade, reuniu 56.443 votos (mais 18% do que em 2021, dos quais 7.942 foram emitidos online), e elegeu 55 projetos que partilharam 216 milhões de UYU. O programa funcionou continuamente ao longo de múltiplas mudanças de administração, incluindo a transição de 2026 para o intendente Mario Bergara, que lançou o ciclo desse ano com o mesmo orçamento de 216 milhões de UYU e o mesmo limite de 4,5 milhões de UYU por projeto.
O que a cidade não publica são dados de conclusão ou de resultados: nenhum registo público mostra quantos dos 383 projetos eleitos entre 2006–2018, ou os 51 de 2018, ou os 55 de 2023, foram efetivamente construídos, dentro do prazo ou do orçamento, e nenhuma avaliação independente mede o que as obras financiadas alcançaram para os seus bairros. Um estudo académico independente de 2025 (Freigedo et al., Bulletin of Latin American Research) constatou que as eleições convencionais em Montevideu registam sistematicamente maior participação do que mecanismos participativos como o PP, sendo a mobilização partidária, e não o apetite deliberativo, o principal fator da variação. A própria página histórica de estatísticas do programa ficou offline, dificultando a reconstrução de uma tendência de participação consistente a longo prazo apenas a partir de fontes oficiais.
As características de conceção favorecem a inclusão — direito de voto a partir dos 16 anos sem exigência de cidadania, divisão igualitária de fundos entre zonas independentemente da riqueza, e acordos obrigatórios de acesso público para projetos que beneficiem instituições privadas — mas nada disto foi verificado de forma independente em termos de resultados. O seu ponto forte mais claro é a longevidade: 36 anos de funcionamento contínuo e institucionalizado são uma conquista rara e genuína entre os programas de orçamento participativo em todo o mundo, ainda que o orçamento nominal para toda a cidade (216 milhões de UYU) se tenha mantido congelado desde pelo menos 2021, implicando um declínio em termos reais.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.