Réinventer Paris — Concursos de projetos urbanos inovadores em terrenos municipais
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A Sidewalk Labs, da Alphabet, passou 2,5 anos e comprometeu 50 milhões de dólares a conceber um bairro repleto de sensores na orla de Toronto, mas cancelou o projeto em maio de 2020, após uma forte reação contra a privacidade e uma votação do conselho que já tinha reduzido o terreno de 190 para 12 acres.
Em 2017, a Waterfront Toronto — uma agência de desenvolvimento com três níveis de governo — selecionou a Sidewalk Labs, subsidiária da Alphabet (empresa-mãe da Google), para conceber um bairro tecnologicamente avançado na orla oriental de Toronto. A Sidewalk Labs comprometeu 50 milhões de dólares em planeamento e projetos-piloto e, no seu Plano Diretor de Inovação e Desenvolvimento de 2019 (elaborado após consultas a mais de 21 000 residentes), propôs alargar o seu modelo de 'cidade inteligente', rico em dados, a 190 acres, juntamente com a transferência da sede canadiana da Google e a criação de cerca de 2 500 novos empregos líquidos.
A dependência do plano de uma recolha extensa de dados urbanos por sensores gerou uma oposição persistente. A Sidewalk Labs propôs, em outubro de 2018, um 'fundo fiduciário cívico de dados' para tratar os dados urbanos como um bem público, mas críticos — incluindo a defensora do governo aberto Bianca Wylie e a Canadian Civil Liberties Association, que apresentou um recurso judicial — argumentaram que conjuntos de dados anonimizados poderiam ser reidentificados ao serem combinados com outras fontes, e que uma empresa privada procurava uma influência desproporcionada sobre um espaço público de governação democrática. O conselho da Waterfront Toronto respondeu votando a favor de restringir o projeto ao terreno original de 12 acres de Quayside.
Em maio de 2020, o presidente executivo da Sidewalk Labs, Daniel Doctoroff, cancelou o projeto por completo, citando uma 'incerteza económica sem precedentes' provocada pela pandemia de COVID-19, que tornava inviável financeiramente até o plano reduzido de 12 acres sem comprometer os seus objetivos de conceção. Nenhuma unidade chegou a ser construída, e o terreno voltou ao processo de planeamento habitual da Waterfront Toronto. O episódio é hoje amplamente citado na literatura sobre inovação urbana e governação de dados como um exemplo de advertência de como a conceção da privacidade e a confiança pública — e não a tecnologia — determinam se os projetos de 'cidade inteligente' sobrevivem ao escrutínio democrático.
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