A província de Cabo Delgado, em Moçambique, é afetada por um conflito desde 2017, que já deslocou mais de 425 mil pessoas. Tal como na maioria das crises humanitárias, praticamente não existiam dados fiáveis sobre quantas pessoas deslocadas vivem com deficiência — pelo que os serviços e abrigos raramente são concebidos a pensar nelas.
A SIRA (Survey for Inclusive Rapid Assessment) é um inquérito digital de código aberto e acessível a leitores de ecrã, criado para colmatar essa lacuna. Combina as perguntas de rastreio de deficiência do Grupo de Washington com entrevistas abertas e vias de encaminhamento integradas para serviços. Crucialmente, foi co-criada com a FAMOD, o fórum nacional moçambicano das organizações de pessoas com deficiência, e com o Design Innovation Group dos Países Baixos, no âmbito do projeto 'Data That Matters' da Light for the World, financiado pela Elrha. Os próprios Facilitadores de Inclusão da Deficiência da FAMOD — e não consultores externos — definiram a redação e o fluxo das entrevistas, e depois lideraram eles mesmos os testes de campo.
Os testes de campo realizados em 2023–2024 avaliaram mais de 2.400 pessoas na fase inicial e mais de 1.500 agregados familiares em Cabo Delgado. Encontraram uma prevalência de deficiência de até 30%, quando incluídas as condições psicossociais — muito acima da estimativa global de 16% habitualmente usada no planeamento — atingindo 70% entre as pessoas com mais de 50 anos. Estes resultados foram utilizados para informar o plano de resposta humanitária de Moçambique para 2025.
A SIRA continua a ser um teste de campo limitado a uma região: ainda não foi publicada nenhuma avaliação académica independente, e os números de prevalência divulgados são autorreportados pelos próprios implementadores, sem auditoria externa. Ainda não se sabe se será adotada como ferramenta padrão para além de Cabo Delgado.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.