Quando a COVID-19 provocou escassez generalizada de máscaras, o governo de Taiwan introduziu, a 6 de fevereiro de 2020, um sistema de racionamento nominal que limitava a compra a duas máscaras por pessoa a cada sete dias, em 5.869 farmácias contratadas e centros de saúde, cada um reabastecido diariamente com cerca de 400 máscaras de adulto e 200 infantis.
Em vez de criar uma única aplicação oficial, o governo (sob a Ministra sem Pasta Audrey Tang, autorizada pelo Yuan Executivo a liderar um esforço interdepartamental de abertura de dados) publicou uma API aberta que atualizava o inventario das farmácias a cada três minutos. A comunidade cívica-tecnológica g0v, com programadores independentes como Howard Wu, já tinha criado em janeiro um mapa colaborativo de disponibilidade de máscaras; assim que a API oficial entrou em funcionamento, alimentou uma vaga de ferramentas construídas de forma independente.
Um estudo revisto por pares identificou 134 aplicações de localização de máscaras até 15 de março de 2020, das quais 110 foram consideradas válidas para análise: 63,6% criadas por programadores individuais, 33,6% por empresas, e o restante por agências governamentais e ONG. A maioria eram sites (60,9%) ou bots de LINE/Facebook (19,1%), e 60% ofereciam vista em mapa. A abordagem permitiu ao Estado manter uma única política de racionamento enquanto um ecossistema competitivo de interfaces criadas pelos cidadãos a entregava na forma mais adequada a cada utilizador, reduzindo filas e compras em pânico nas farmácias.
O esquema era específico da pandemia e foi encerrado à medida que a procura por máscaras diminuiu ainda em 2020, pelo que deve ser entendido como uma prova de conceito para resposta a crises baseada em API aberta e colaboração cívica, e não como uma instituição permanente.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.