O processo de registo eleitoral de 2020 na Zâmbia substituiu um cadastro manual, em papel, por um sistema biométrico que recolhe dez impressões digitais e uma fotografia facial de cada eleitor, com o objetivo de acabar com queixas recorrentes de números de registo duplicados e cadastros eleitorais inflacionados.
Em fevereiro de 2021, o Diretor Eleitoral-Chefe da Comissão Eleitoral da Zâmbia (ECZ), Patrick Nshindano, anunciou que a correspondência biométrica automatizada já tinha detetado e removido cerca de 18 mil registos duplicados de um cadastro provisório de 7.002.393 eleitores (53,4% mulheres, 46,6% homens). A ECZ abriu depois uma janela pública de inspeção eletrónica (7 de fevereiro a 7 de maio de 2021, acessível via USSD *214# e pelo portal eczovr.org) e um período de inspeção física (29 de março a 2 de abril de 2021), para que os cidadãos pudessem verificar ou contestar os seus próprios registos antes da certificação final do cadastro.
A informação pública cobre os números globais de desduplicação e inspeção, mas não vai além disso: a ECZ não publicou uma auditoria técnica independente das taxas de falsos positivos ou falsos duplicados do algoritmo de correspondência biométrica, pelo que o número de 18 mil deve ser lido como a contagem da própria Comissão, e não como uma medida de precisão verificada externamente.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.