Urbanismo Social de Medellín — Teleféricos, Escadas Rolantes e Acupuntura Urbana
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Desde 2004, a agência francesa de renovação urbana ANRU já investiu mais de 45 mil milhões de euros a demolir, reconstruir e redesenhar habitação e espaço público em centenas de bairros desfavorecidos, enquanto o auditor independente do país documenta défices de habitação, derrapagens de custos e progresso apenas parcial na mistura social.
A Agence Nationale pour la Rénovation Urbaine (ANRU) lidera a estratégia francesa "Politique de la Ville" para os chamados quartiers prioritaires — bairros desfavorecidos identificados a nível nacional para intervenção. Os seus programas financiam a demolição de blocos de habitação social obsoletos, a construção de nova habitação mista (frequentemente construída noutro local para promover a diversidade social), a reabilitação de edifícios mantidos, o redesenho do espaço público e novos equipamentos comunitários como escolas e pavilhões desportivos. Os contratos financiados devem incluir "clauses d'insertion", que obrigam as empresas de construção a reservar uma parte das horas de trabalho para desempregados locais.
No âmbito do primeiro programa (PNRU, 2004–2021), o Tribunal de Contas francês (Cour des Comptes) auditou os resultados: cerca de 45 a 48 mil milhões de euros investidos no total (cerca de 11 mil milhões em subvenções da ANRU), abrangendo cerca de 600 bairros em 382 municípios, com cerca de 150.000 fogos demolidos e 125.000 reconstruídos — duração média do projeto de 14 anos. O programa sucessor (NPNRU, desde 2014) visa 448 bairros prioritários com cerca de 3 milhões de residentes; até ao final de 2025 tinha entregado cerca de 69.000 fogos sociais renovados ou novos face a cerca de 46.000 demolidos, com 81% do orçamento já comprometido financeiramente.
A auditoria de 2020 do Tribunal de Contas concluiu que apenas metade das suas recomendações de 2014 tinha sido implementada, alertou para um défice de tesouraria projetado que poderá atingir cerca de 1,5 mil milhões de euros entre 2025 e 2033, e concluiu que "a diversidade social não foi alcançada de forma satisfatória". Uma análise independente da Fondation iFRAP foi mais longe, argumentando que as reduções de pobreza medidas nos bairros renovados refletem substancialmente deslocação — 44% dos fogos demolidos alojavam agregados pobres, contra 23% dos fogos mantidos — e não uma melhoria genuína para os residentes originais.
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