Em Copenhaga, na Dinamarca, os Serviços de Emergência Médica começaram a utilizar a Corti, um assistente de inteligência artificial baseado em reconhecimento de voz e aprendizagem automática, para escutar em tempo real as chamadas de emergência (112) e assinalar aos operadores possíveis paragens cardíacas, com base em pistas como palavras-chave e padrões respiratórios anómalos.
Uma avaliação inicial que analisou 161.650 chamadas concluiu que a Corti identificou corretamente a paragem cardíaca em 95% dos casos, comparado com uma taxa de reconhecimento de 73% por parte dos operadores humanos no mesmo sistema, segundo reportagens do Fórum Económico Mundial e da Sudden Cardiac Arrest Foundation. Os jornalistas assinalaram uma lacuna importante: o estudo completo das 161.650 chamadas não tinha sido revisto por pares nem publicado em detalhe na altura, deixando por documentar a taxa de falsos positivos.
Extensão à deteção de AVC (revista por pares) — Um estudo retrospetivo de 2022, publicado numa revista científica com revisão por pares, analisou 9.049 chamadas de emergência relacionadas com AVC na Região Capital da Dinamarca (população de 1,85 milhões, 2016-2018) e estimou que um software de reconhecimento automático de voz, calibrado com base nos ganhos de desempenho da Corti na paragem cardíaca, poderia aumentar a taxa de deteção de AVC pelos operadores e elevar a proporção de doentes a receber trombólise dentro da janela crítica de cerca de 16% para 18% — uma projeção, e não ainda um resultado medido em implementação real.
Ressalvas — Os investigadores assinalaram explicitamente que a projeção para o AVC assumia que o reconhecimento automático de voz teria um desempenho equivalente ao da paragem cardíaca, apesar de os sintomas de AVC serem menos específicos (5% a 14,9% dos casos são "imitações de AVC", contra 0,6% na paragem cardíaca), e que a IA "não consegue explicar como toma as decisões" — uma limitação de transparência reconhecida.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.