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Após os sismos de 2010–11 arrasarem o centro de Christchurch, o grupo comunitário Gap Filler transformou terrenos devolutos em espaços públicos temporários, parte de mais de 700 projetos de transição que estudos académicos associam a maior ligação social e ecológica.
Os sismos de setembro de 2010 e fevereiro de 2011 em Canterbury destruíram grande parte do centro de Christchurch, deixando centenas de terrenos devolutos à medida que os edifícios eram demolidos mais depressa do que podiam ser reconstruídos. A Gap Filler, uma organização comunitária fundada após o primeiro sismo e expandida após o segundo, começou a ativar temporariamente esses terrenos vazios com música, arte, mercados e instalações públicas — experiências de baixo custo e baixo risco que também serviam de "marcadores de lugar" até chegar a reconstrução definitiva.
A Gap Filler trabalhou junto com a Life in Vacant Spaces (LiVS), que negociava diretamente com os proprietários para associar projetos comunitários a terrenos vazios. Entre os projetos mais conhecidos está o Dance-O-Mat, uma pista de dança exterior a moedas inaugurada em 2012 e ainda hoje um ponto habitual da cidade, e o Pallet Pavilion, em "The Commons", um espaço temporário construído com paletes que ganhou a Prata nos BEST Design Awards de 2013 e foi finalista do International Award for Public Art em 2014, antes de The Commons se tornar um espaço permanente para mercados e eventos.
Estudos académicos (numa coleção da IntechOpen sobre resiliência urbana e em revistas científicas de estudos urbanos) documentaram o movimento mais amplo de urbanismo transitório que a Gap Filler ajudou a ancorar: o site The Conversation relata que mais de 700 projetos de transição foram implementados em Christchurch na década seguinte aos sismos, e os investigadores concluiram que os projetos promoveram comunidades mais ligadas social e ecologicamente, dando aos residéntes uma forma de baixo risco de testar novos usos para a cidade antes do investimento permanente.
Uma ressalva justa: esta evidência é sobretudo qualitativa, baseada em estudos de caso e documentação jornalística, e não numa avaliação de impacto controlada; e o plano formal de reconstrução de Christchurch, conduzido em paralelo por via centralizada, foi também criticado (inclusive na imprensa generalista) por ser lento e aquém do esperado — os projetos de transição devem ser entendidos como uma resposta comunitária resiliente que funcionou em paralelo, e não como um substituto, desse processo formal problemático.
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