Um caso de 1995 no Supremo Tribunal, movido pela advogada Meera Dhungana, obrigou o Nepal a rever a lei de sucessões; uma correção parcial em 2002 permitiu herdar às filhas solteiras, e o Código Civil de 2017 deu, enfim, direitos de propriedade plenos e iguais a filhos e filhas.
19.7 %
Mulheres nepalesas proprietárias de terras em nome próprio (post-2017 Civil Code)
11 %
Mulheres que controlam de forma independente as terras que nominalmente possuem (post-2017 Civil Code)
Detalhes
Maturidade
Consolidada
Promotor
Government of Nepal — Ministry of Law, Justice and Parliamentary Affairs
Período
1995-2017
Palavras-chave
law, judiciary, property rights, gender equality
Contexto
Em 1993, a advogada e ativista dos direitos das mulheres Meera Kumari Dhungana, apoiada pelo Forum for Women, Law and Development (FWLD), apresentou uma petição judicial argumentando que as regras de herança do Muluki Ain — que permitiam às filhas reclamar uma parte dos bens dos pais apenas se solteiras e com mais de 35 anos, e as obrigavam a devolvê-la ao casarem — violavam a garantia de igualdade da Constituição do Nepal de 1990.
Atividades
Na sua decisão de 1995, o Supremo Tribunal concordou que a disposição era discriminatória e ordenou ao Parlamento que a reformasse. A 11.ª Emenda ao Muluki Ain daí resultante (2002) passou a permitir que as filhas herdassem independentemente da idade, mas manteve uma condição parcial: os bens ainda tinham de ser devolvidos caso a filha casasse. A paridade plena e incondicional entre filhos e filhas — e entre esposas, viúvas e mulheres divorciadas — só foi alcançada com o Código Civil Nacional do Nepal, de 2017.
Resultados
Anos depois de a igualdade jurídica plena entrar em vigor, uma avaliação da OIM constatou que apenas 19,7% das mulheres nepalesas possuem terras em seu próprio nome, e apenas 11% controlam de forma independente as terras que nominalmente possuem.
Conclusões
A reforma é um exemplo paradigmático de a lei correr à frente da prática — evidência de que os direitos formais de herança ainda não colmataram o fosso na posse efetiva, particularmente em comunidades rurais e influenciadas pelo direito consuetudinário.
Implementação
Custo indicativo
Baixo (< 50 mil €)
Tempo até resultados
Longo (> 3 anos)
Equipa e competências
Nepal's Supreme Court and Parliament (judicial ruling plus two legislative reforms), Meera Dhungana and the Forum for Women, Law and Development (sustained legal advocacy)
Condições de sucesso
Full, unconditional legal parity required a two-step process — an initial Supreme Court ruling (1995) followed by two legislative reforms (the 2002 11th Amendment and the 2017 National Civil Code) — showing that a judicial ruling alone did not immediately produce full equality
Sustained legal advocacy (Meera Dhungana and the Forum for Women, Law and Development) kept the reform on the legislative agenda across more than two decades
Modos de falha comuns
Formal legal equality has not closed the ownership gap in practice: an IOM assessment found only 19.7% of Nepali women own land in their own name, and just 11% independently control land they nominally own, particularly in rural and customary-law-influenced communities
Onde se enquadra
Tipo de governação
national judiciary and legislature
Escala
national
Nível de rendimento
low-income
Habitualmente financiado por
National / regional programmes
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Fontes de dados
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