A Câmara dos Deputados do Brasil opera, desde 2018, o Ulysses, uma suíte interna de ferramentas de IA e processamento de linguagem natural para o trabalho legislativo. A suíte nasceu da Estratégia Digital da Câmara (Ato 268/2021) e hoje reúne oito módulos, de U1 a U8, cada um cobrindo uma etapa distinta do fluxo legislativo.
O U1 agrega conteúdo temático para o portal de estudos legislativos. O U2 distribui, de forma semiautomática, pedidos de cidadãos e servidores às consultorias legislativas competentes. O U3, o módulo mais usado, faz análise semântica para apontar projetos semelhantes a uma nova proposta e processa mais de 20 mil pedidos por ano. O U4 agrupa emendas usando PLN, o U5 transcreve discursos em plenário e comissões (hoje com o Azure da Microsoft, com migração planejada para o Whisper da OpenAI), e o U6 analisa comentários de enquetes eletrônicas sobre projetos. O U7 e o U8 usam reconhecimento facial biométrico, respectivamente para autenticar votos parlamentares pelo aplicativo Infoleg e para identificar automaticamente parlamentares em fotos oficiais.
Em dezembro de 2025 a Câmara anunciou uma nova fase do programa: um assistente interno 'Ulysses Chat' para servidores, autorização formal para uso de ferramentas externas como Claude, Gemini e GPT, e novas políticas de governança e segurança de IA para acompanhar a expansão. Não há avaliação independente publicada sobre a precisão, as taxas de erro ou o impacto legislativo dos módulos, e os módulos de votação biométrica e reconhecimento facial operam sem um órgão externo de supervisão nomeado.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.