Entre 2015 e 2018, o Serviço Público de Emprego da Áustria (Arbeitsmarktservice, AMS) desenvolveu um modelo de pontuação baseado em regressão — mais tarde denominado AMAS (Arbeitsmarktchancen-Assistenzsystem) — que classificava cada candidato registado em três grupos de empregabilidade (A: boas perspetivas, B: médias, C: baixas), usando variáveis como idade, género, nacionalidade, responsabilidades de cuidado e deficiência. Os membros do Grupo C, considerados menos propensos a encontrar emprego rapidamente, seriam afastados dos programas de formação mais dispendiosos da AMS por motivos de eficiência de custos, enquanto os do Grupo A também eram despriorizados a favor do Grupo B, por se assumir que encontrariam emprego sem ajuda.
Um estudo académico independente (Allhutter et al., Frontiers in Big Data, 2020) obteve a documentação técnica do modelo e constatou que este subtraía explicitamente 0,14 pontos à pontuação de uma candidata por ser mulher, penalizando ainda mais as mulheres com responsabilidades de cuidado declaradas — uma variável não aplicada aos homens. A autoridade austríaca de proteção de dados (Datenschutzbehörde) proibiu o sistema em agosto de 2020, considerando-o uma forma intrusiva e insuficientemente justificada de perfilagem automatizada. A AMS recorreu, e o Tribunal Administrativo Federal (BVwG) deu razão à AMS em dezembro de 2020, antes de o processo ser novamente contestado e só resolvido definitivamente em setembro de 2025, quando o BVwG considerou que o AMAS não violava o artigo 22.º do RGPD, por um responsável humano manter a decisão final.
A validação chegou tarde demais para ter efeito prático: a AMS já tinha eliminado os dados do projeto AMAS no outono de 2020 e, segundo o presidente do conselho de administração, Johannes Kopf, escreveu a perda de cerca de €2,5 milhões em custos de desenvolvimento. Kopf confirmou em setembro de 2025 que a AMS não tem planos de reviver o sistema, alegando que já passou demasiado tempo e que hoje a AMS provavelmente usaria outros métodos (baseados em IA). O AMAS nunca chegou a ser implementado a nível nacional — permaneceu um projeto-piloto contestado durante toda a sua existência de cinco anos.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.