Desde 2012, o Departamento de Proteção Social da Irlanda utiliza, na sua rede de gabinetes de emprego Intreo, uma ferramenta de perfilagem estatística chamada PEX (Probability of Exit). Construído a partir de uma regressão probit treinada com uma coorte de candidatos a emprego de 2006, acompanhada durante 18 meses (O'Connell, McGuinness & Kelly, Economic and Social Review, 2012), o PEX estima a probabilidade de cada novo candidato permanecer desempregado 12 meses depois, com base em cerca de oito características — idade, escolaridade, literacia, histórico recente de desemprego, acesso a transportes, entre outras. Os candidatos com uma pontuação PEX baixa (isto é, maior risco previsto de desemprego de longa duração) deveriam receber um acompanhamento mais intensivo por parte dos gestores de caso.
Uma avaliação encomendada pelo governo em 2019 (ESRI Research Series n.º 81, "An Initial Evaluation of the Effectiveness of Intreo Activation Reforms") constatou que a implementação do modelo ficou aquém do previsto na prática: 20% dos indivíduos nos gabinetes Intreo em 2013 não tinham qualquer pontuação PEX, e outros tinham respostas em falta no questionário de perfilagem, tornando as suas pontuações inutilizáveis para direcionar efetivamente o apoio à ativação. Trata-se de uma falha de implementação documentada numa avaliação oficial, não de um risco hipotético.
Apesar disso, o Departamento continuou a investir no modelo em vez de o abandonar: a Revisão dos Serviços Públicos de Emprego da Irlanda de 2023, do Banco Mundial, confirma que o PEX continua a ser a principal ferramenta estatística de perfilagem do país para priorização de casos, e o ESRI recalibrou-o novamente em 2022 com dados administrativos atualizados, concluindo que os padrões preditivos de 2006 e de uma coorte mais recente de 2018 eram amplamente semelhantes "apesar de uma recessão global entretanto." O PEX é um dos sistemas de perfilagem estatística mais duradouros entre os serviços públicos de emprego europeus, ilustrando tanto a durabilidade da abordagem como a persistência de falhas entre o desenho técnico de um modelo e a sua aplicação no terreno.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.