A Inspeção da República da Eslovénia para a Sociedade da Informação (IRSID) aplica a ZDSMA, a transposição eslovena da Diretiva europeia relativa à acessibilidade da web. O seu relatório estatutário relativo ao segundo período de reporte, entre 1 de janeiro de 2022 e 23 de dezembro de 2024, regista 468 fiscalizações de sítios web e aplicações móveis: 394 sítios web pelo método simplificado, 50 sítios web pelo método aprofundado e 24 aplicações móveis. Foram ainda realizadas 16 verificações aprofundadas de sítios web e 4 de aplicações para recuperar um atraso deixado pela falta de pessoal no primeiro período de reporte.
O método aprofundado é exigente — todas as 137 condições da norma SIST EN 301 549 V3.2.1 aplicáveis a sítios web e todas as 162 aplicáveis a aplicações móveis. Detetou 518 irregularidades nas 50 auditorias a sítios web (154 em 2022, 185 em 2023, 179 em 2024) e 134 irregularidades nas 24 auditorias a aplicações (50, 45 e 39, respetivamente). A monitorização simplificada de 394 sítios web detetou 982 irregularidades (233, 376 e 373).
O que torna este registo digno de catalogação é o que o relatório afirma a seguir. Em 2022, 2023 e 2024, a inspeção limitou cada verificação simplificada a um máximo de três erros identificados de tipos diferentes, e indica a razão sem rodeios: kadrovska podhranjenost — subnutrição de pessoal. As contagens de irregularidades publicadas são, portanto, mínimos impostos pela capacidade do próprio regulador e não medições do grau de inacessibilidade dos sítios. O quadro de pessoal mostra que o único lugar de Inspetor III esteve ocupado apenas até 3 de maio de 2024.
As declarações de acessibilidade foram verificadas em 465 entidades obrigadas: 110 tinham uma declaração conforme, 192 tinham uma declaração parcialmente conforme que violava pelo menos uma das sete condições e, em 163 casos, não existia qualquer declaração de acessibilidade. Só em 2022, das 139 entidades verificadas, apenas 9 tinham uma declaração conforme. O relatório regista também que os organismos do setor público ainda não tinham fornecido à inspeção quaisquer dados qualitativos ou quantitativos sobre o retorno dos utilizadores.
O relatório é invulgarmente franco quanto a efeitos perversos. Observa entidades obrigadas a reduzir ou remover conteúdos dos seus sítios web e aplicações em nome do alinhamento com as diretrizes de acessibilidade, em vez de tornar esses conteúdos acessíveis; entidades que alegam falta de meios financeiros; prestadores contratados para construir ou atualizar sítios que desconhecem os requisitos de acessibilidade; e um aumento recente do uso de plugins de sobreposição de acessibilidade («accessibility overlays»), na sua maioria comercializados como ferramentas que alegadamente garantiriam a conformidade com a norma harmonizada SIST EN 301 549 V3.2.1.
O jornalismo independente agudiza o retrato. A rádio e televisão pública eslovena RTV SLO noticiou que a inspeção tinha sido recentemente reforçada de um para três inspetores, que recebera apenas duas queixas do público entre 2021 e 2023, que as coimas legais variam entre 200 e 2 000 euros e que cerca de 95% dos sítios web permaneciam inacessíveis apesar da lei. Não se encontrou qualquer prova de coimas efetivamente aplicadas. Leia-se como caso de advertência: a arquitetura legal e o método de inspeção são sólidos; a capacidade de fiscalização que os sustenta não é.
De onde foi obtida a informação desta prática, e quando.